O cerco está se fechando no ato mais elementar e simples da vida: comer!

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Ovos já não são vilões, o alerta da OMS que embutidos são cancerígenos e carnes vermelhas talvez… caíram na boca da população este ano, mas já sabemos que tais alimentos não são recomendados pelo alto teor de G saturada, colesterol , sódio (e este ano o consumo caiu pelo alto preço da carne vermelha em relação ao frango). Estaria os órgãos mundiais de saúde “gritando” aos ouvidos da população com mais um alerta a fim de conter a prevalente obesidade mundial e doenças crônicas que atingem as populações mundiais??? Se o leite é algo precioso em nossa infância, passa a ter prazo de validade quando atingimos a fase adulta (intolerância à lactose é “virose”!). Se o pão foi alimento sagrado, cuidado, pois glúten é “veneno”!!! Os verdadeiros celíacos agradeceriam se pudessem comer de tudo normalmente (ao menos se beneficiaram de mais fácil acesso aos produtos sem glúten a medida que a indústria alimentícia aproveitou a “moda” e ofereceu maior variedade aos celíacos e não celíacos ou intitulados intolerantes).

Quem não se lembra da ração humana? E aí disparam alimentos “milagrosos” nas gôndolas dos supermercados do mundo todo: linhaça, quinua, amaranto, chia. Óleo de coco, biomassa de banana verde, edamame, ágave, açúcar de coco, sal rosa. Goji Berry, suco verde, castanhas de tudo quanto é tipo! Dá-lhe o frango com batata doce!!!

Antes que pensem que eu como nutri estou reforçando alimentos cujos malefícios são conhecidos as recomendadas frutas e vegetais ricas em água, vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes estão lotadas de agrotóxicos! Orgânicos são recomendados, mas ainda são para poucos! E aí? Como sobreviver em meio a tantas informações sobre nutrição. Superstição, milagres ou mitos?

Que tal retomar um pouco a nossa memória como você comia quando criança há pelo menos 30 anos ou mais da sua vida? Refrigerantes era artigo de luxo, às mesas de muitas das nossas famílias quando tinha, era nas comemorações especiais ou num almoço ou jantar de domingo.  Tínhamos no almoço a boa e velha combinação do arroz, feijão, salada ou vegetal cozido e carne. Porque agora você insiste em negar esse hábito, e do contrário passa a comer o que não faz em casa ou é “diferente” (entram no lugar, tortas, farofas, purês, suflês etc).  Não que estes alimentos não possam ser consumidos, mas fazerem parte da rotina diária pode ser arriscado!

Como livrar-se da culpa e começar a saborear a sua comida novamente?

A ciência está muito longe do consenso e estamos em uma busca frenética para eliminar ou incluir “algo” especial e nos fazer acreditar que apenas inclusão de UM alimento ou nutriente teremos a “salvação” dos nossos problemas!

Aos seguidores de blogueiros fitness aprenda a filtrar e ter senso crítico sobre o que lê. Segui-los para receber motivação… ótimo! Mas reflita se o corpo ou estilo de vida da pessoa que o inspira é real, é natural? Cabe à sua rotina de vida? Se cada um tem uma genética e resposta ao treino e alimentação, como acreditar que terá o mesmo resultado? Você tem certeza que aquele corpo “exemplo” é sua referência de vida saudável ou é uma vida que só foca na estética sem saúde?

Se você gostou de um exercício ou de um alimento que “aquela” blogueira indicou, por favor, para o seu bem, procure orientação de um profissional da área. Procure seguir uma alimentação que seja SUSTENTÁVEL em sua rotina diária e estilo de vida.

Como diz Mario Sérgio Cortella (colega aqui da CBN que sou fã): “Algumas pessoas nos dizem várias coisas. Contam, relatam, delatam, narram, dissertam. E acreditamos se desejar. Há uma crença extremamente acomodadora que é fingir que acredita. Você acredita no que você quiser”.

Comece olhar mais para você e sua vida, do que ficar olhando, sentado, a vida do outro. A partir do momento que você começa a pensar: “o que eu preciso?”, “meu excesso de peso está me incomodando ou deixando com dores”, “estou triste” procure um profissional que te orientará da melhor forma e ajudará a elaborar com você estratégias de rotina SUSTENTÁVEIS!!!

Ainda que como nutricionista em esportes, acredito e pratico verdadeiramente a essência da nutrição e atividade física regular para vida, não foi minha intenção aqui ensinar você a comer. Felizmente, essa AINDA é uma decisão pessoal, que depende apenas do seu julgamento sobre o que é certo e o que é errado e – não menos importante – do seu gosto. Se pude contribuir na tomada de decisão compartilhando meu ponto de vista sobre os modismos e divulgação de informação suspeita ou desinformação na minha área já está muito bom e terminado este texto, ao decidir o que comer você saiba o que está fazendo e o que isso implica para você e sua vida. Feliz 2016!

Dra. Janaina Goston

Sobre Dra. Janaina Goston

Dra. Janaina Goston, especialista em nutrição esportiva - Belo Horizonte Doutora em Saúde Pública (Faculdade Medicina UFMG), Mestre em Ciência de Alimentos (Faculdade Farmácia UFMG), Pós graduada em Fisiologia do Exercício (UVA-RJ)
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