E o óleo de coco Dra?

O oleo de coco caiu no gosto do freguês, e muitos clientes ainda têm dúvida sobre seu consumo!

Como muitos nutricionistas e médicos têm prescrito em substituição aos óleos vegetais seja no preparo dos alimentos ou até associado a lanches no dia (frutas, shakes etc), darei a minha opinião aqui levando em conta o que tenho estudado, minha experiência profissional calculando dietas há muitos anos e custo-benefício.

oleo de coco

Como ovo, glúten, lactose etc… o óleo de coco está literalmente na boca do povo. Antes que a mídia em torno da nutrição divulgue que pode “matar” ou fazê-lo atingir maior longevidade por meio destes ou outros alimentos (vilões ou mocinhos em segundos) preciso fazer considerações que podem ajudá-lo a refletir se a troca do óleo vegetal por coco é melhor para VOCÊ!

Ainda que defensores das gorduras saturadas ressaltam que as mesmas não são as responsáveis pelo risco aumentado às doenças do coração, não podemos desconsiderar as recomendações das diretrizes mundiais que fazem o alerta sobre o consumo desequilibrado destas G e outras (bem como desequilibrio no consumo de carboidratos e proteínas da dieta) nas doenças crônicas não transmissíveis em geral (obesidade, hipertensão, diabetes II etc). Leia aqui ultima posição da Sociedade Brasileira de Cardiologia 2009-2014

Tenho certeza que se você iniciar uma mudança de estilo de vida, em especial na sua alimentação com fins de emagrecimento passando a adotar menor ingestão energética, combinando melhor os nutrientes (seja eles qual for) e praticando exercícios terá êxito garantido. Agora se você está fazendo as melhores escolhas alimentares é outra história. Precisará de ajuda profissional!

O oleo de coco e palma, são únicas fontes de origem vegetal que possuem em sua composição gorduras saturadas predominantemente (ou seja, as mesmas provenientes da G animal, que são sólidas à temperatura ambiente). Caso você tenha dieta regrada (incluindo fim de semana, pois mesmo ao optar pela dieta exclusiva em proteinas por exemplo, precisa ter controle da ingestão calórica da mesma maneira), é pouco provável ter influência negativa em seu colesterol. Mas lembre-se: quando ouvir alguém se gabar que está fazendo dieta exclusiva em proteínas (e consequentemente rica G saturadas) e relatar melhora do perfil lipidico do sangue (redução de colesterol), esteja certo que a perda de peso gerada estará contribuindo para essa melhora mais do que o tipo de escolha alimentar feita (rica em proteínas). Agora, se é daqueles que relatam fazer dietas específicas (seja em proteínas, sem gluten, sem lactose ou outra) somente nos dias de semana mas 6a feira após 12h, sabado e domingo permitem-se comer o que quiserem porque acham que são merecedores de manterem-se em dieta, treinos com disciplina de 2a a 6a até 12h ou que tiveram uma semana intensa e estressante de trabalho, por isso podem se permitir aos deslizes, fiquem bastante atentos! Ter restrições alimentares na semana, incluindo dieta ou alimento da moda a cada dia, pode sim dependente da G escolhida como parte do seu consumo diário (como oleo de coco) contribuir para aumentar o risco não só de doenças cardiovasculares como obesidade, hipertensão etc. Seu corpo não sabe se é sabado ou domingo! Ele estará somando os dias que esteve em dieta regrada aos dias que se permitiu comer o que queria e isso pode ser arriscado à sua saúde! (pense que estou falando não do consumo de um dia ou outro de oleo de coco em sua dieta, mas sim daqueles que o utilizam em substituição a todas as outras fontes e ainda permitem-se comerem o que quiserem no fim de semana porque acham que serão “salvos” por terem seguido dieta a risca na semana! Manter o consumo de oleo de coco na semana, rico em 90% de G saturadas, com o consumo de churrasco, almoços recheados de frituras, sobremesas nos fins de semana pode ser fatal fora o seu bolso que sofrerá drasticamente o alto preço do mesmo nas gôndolas dos supermercados). Fazer dele o consumo diario predominante não é seguro ainda. Para aqueles que o utilizam com objetivo de emagrecimento… Piorou! São fontes de gordura, por isso seja em cápsulas ou na versão líquida têm calorias e as mesmas devem ser contabilizadas pelo seu nutri na sua dieta. Os que estão usando aleatoriamente, sem supervisão profissional… tenham mais cuidado! Você pode estar ingerindo calorias extras sem perceber (e lembre-se que se nao estiver regrado no fim de semana, não estranhe se estiver tendo o efeito contrário de ganhar peso).

Quer dizer que incentivo o consumo de óleos vegetais (como canola, soja)? Nããããoooo! Incentivo o equilibrio de todos os nutrientes, sem neuras, sem radicalismos, modismos! Se vai usar  algum óleo para o preparo, que seja o mínimo possivel, incluindo azeites, que são saudáveis mas são calóricos, e se quer emagrecer deverá também controlar a ingestão de gorduras boas no seu dia! O oleo de coco é apenas mais um para inflar o potente mercado de alimentos/suplementos nutricionais e a ausência de clareza sobre seu consumo no emagrecimento pede cautela no uso desinfreado! Leia o ultimo posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) sobre o uso do óleo de coco para perda de peso. Àqueles que o consome com intenção de reduzir o índice glicêmico (IG) de frutas, e outros carboidratos (é uma boa justificativa),  mas porque não optar por fontes de gorduras de melhor qualidade (como as insaturadas presentes nas oleaginosas)? Só não vale comer o pote de castanhas inteiro, mas se tiver o mesmo controle da tal 1 col de sopa do oleo de coco (usando apenas 3 a 4 castanhas) terá o mesmo efeito na reduçao do IG , ingestão calorica controlada e talvez até mais saciedade por poder mastigar alguma coisa (ao invés da sem graça inclusão do oleo em todas as refeições com gosto de coco todo o dia). Prefiro incluir a fruta ao meu cliente, o coco em si, por ser prazeroso mastigá-lo, o sabor é incomparável ao oleo, mas que tambem deve ser calculado no plano diário.

Lamentável ver colegas prescrever certos alimentos com alegações “anti-inflamatórias” (é um ou outro alimento por si só que geram inflamação?). Não seria a obesidade e outras patologias associadas? Mais fácil entender que se um individuo é obeso, sedentário, as vezes tabagista aí sim encontra-se “inflamado”. Acredita mesmo que tomar o suco de um limão com àgua morna pela manhã, suco detox, pão de queijo e biscoito de polvilho (porque não têm glúten), excluir leite e derivados porque agora descobriu que como sua vizinha é intolerante à lactose… vai “desinflamar/desintoxicar”? Acredita mesmo nisso? Obesidade é uma doença, multifatorial. Não vamos banalizar seu tratamento com a escolha de um ou outro alimento. Não existe “nutrição funcional”, mas sim usufruir de alimentos funcionais (integrais, enriquecidos, orgânicos etc) que têm potencial benéfico à saúde quando cosumidos como parte de uma dieta variada, regular em níveis adequados para VOCÊ. Pessoas que desejam apenas melhorar sua composição corporal porque treinam regularmente, mas estão perdidas em meio a tantas informações nutricionais veiculadas na mídia, façam escolhas mediante seu bolso, suas preferências dietéticas, sua rotina de vida para que encontre um hábito que seja sustentável para sua vida e não por um tempo determinado. O que adianta passar a comprar todos os alimentos da moda se não compromete-se a seguir sua alimentação saudavel proposta inclusive nos fins de semana. Não achem que espero perfeição de ninguém não podendo sequer almoçar fora ou participar de um evento social quando se está em dieta. Mas a concepção de “nada” na semana e “tudo” no fim de semana precisa ser revista. A crença de que leite e glúten são venenos, óleo de coco associado a outras G saturadas da dieta são a grande solução, assim como sucos detox, pasta de amendoim em tudo, cortar arroz e feijão, manter apenas batata doce e frango o dia todo, na ideia de que estas condutas que te garantirão êxito, é um modo um tanto simplista de ver as coisas. Certamente terei leitores que se identificam facilmente com um dos estilos que não defendo. Mas esteja certo que você é exceção! A maioria das pessoas buscam condutas radicais para obter resultados mágicos em curto espaço de tempo, porque um colega ou uma matéria e até a leitura de um artigo científico mostrou tal associação com o que escolheu fazer (um artigo sozinho não faz verão). Porque não dispender energia naquilo que é sustentável para você, sua rotina de vida, seu bolso e gosto? Seja feliz!

Dra. Janaina Goston

Sobre Dra. Janaina Goston

Dra. Janaina Goston, especialista em nutrição esportiva - Belo Horizonte Doutora em Saúde Pública (Faculdade Medicina UFMG), Mestre em Ciência de Alimentos (Faculdade Farmácia UFMG), Pós graduada em Fisiologia do Exercício (UVA-RJ)
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4 respostas para E o óleo de coco Dra?

  1. karen duarte disse:

    Adorei o site. Muito boa a matéria do óleo de coco. Tenho um restaurante de alimentação saudável http://levebistro.com e estou sempre em busca de mais conhecimento. Obrigada

    • Olá Karen, obrigada por seu retorno e fico feliz que esteja acompanhando o blog. Pode também me ouvir pela CBN segundas e sexta feiras as 10:40h no quadro alimentação saudável. Parabens pelo restaurate, vou entrar no site para conhecer! Dra. Janaina

  2. Adorei sua análise, é bem por aí, cada um tem que adaptar uma rotina bacana para viver melhor e ter saúde. Eu comecei a consumir óleo de coco pois tem sim vantagens. Mas de forma nenhuma deixo as atividades físicas e sem dietas radicais acredito que estou vivendo bem melhor.

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